Tenho uma árvore no meu quintal, junto à qual passei os melhores momentos da minha vida.
Ri e chorei junto dela.
Chorei de alegria quando provei os seus frutos, tão doces e suaves; quando a olhava, em plena Primavera, as suas folhas tão verdes e a sua figura tão majestosa.
Chorei de tristeza quando deixou de dar fruto e as suas folhas começaram a cair.
Muitos Invernos passei, sempre com a esperança de voltar a provar os seus frutos e abrigar-me na sua folhagem, uma nova Primavera. E quando ela vinha, era como se nunca tivesse existido o Inverno e como se nunca voltasse a existir.
Era um Inverno frio, mas eu mantinha a esperança.
Porém, era uma visão difícil de suportar. A sua folhagem desvanecera. Virei as costas e qual nao é o meu espanto quando me deparo com a figura quase divinal de outra árvore, firme, viva e imponente, de raízes bem profundas.
Caída do céu.
Um sopro da Primavera em pleno Inverno.
A sua folhagem verde, forte e acolhedora, quase como se estivesse a chamar-me para o seu abrigo, e lá eu me protegeria do frio e da chuva. Assim fiz. E lá, senti-me segura.
Porém, continuava a olhar de longe a minha árvore. E ela morria. Dizia-me que era preciso uma promessa, um compromisso, para que a Primavera voltasse, e eu poder voltar a chorar de alegria com as suas folhas nas minhas mãos e o sabor do seu fruto doce nos meus lábios.
Quis correr para ela, mas já havia experimentado o abrigo da outra. E toquei nos seus frutos. Maduros, como que prometendo que não me arrependeria se os provasse. Virei costas em busca da Primavera que eu tão bem conhecia e que tanto amava.
E quando o Inverno voltar?
Terei eu alguma vez a coragem de provar o “fruto proibido”?
E serei eu digna de tal coisa?
Ou viverei sempre com a esperança de que a Primavera venha para ficar...
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